O trecho 4×4 que fizemos com a nossa caminhonete, saindo de Camocim rumo à Jeri, foi fenomenal. Mar de um lado, dunas de outro. Cenários de vegetação única crescendo no meio de um mar de areia invadido por pequenas lagoas formadas com água das chuvas. Manguezal de um lado, vilarejo de outro. O cheiro azedo do sargaço e os caranguejos se afundando nos manguezais nos acompanharam por um longo trajeto. Moscas invadem o carro durante eventuais paradas, sobrevivendo aos fortes ventos que movem as dunas. Bodes aos montes pastam pela praia, e fortes, a despeito da energia gasta em andar quilômetros e se alimentar de qualquer coisa que não se vê.

O dia estava nublado em princípio, mas já na primeira balsa o mundo caiu. Uma tempestade transformou o passeio ainda mais em aventura.
Por sorte a chuva nos acompanhou por um trecho até a segunda balsa mas deu uma trégua pra aproveitarmos a lagoa. Dentre as várias lagoas, próximo à vila de Tatajuba, a chamada Lagoa da Torta se forma extensa e moradores locais montam uma pequena estrutura turística com mesinhas e redes espalhadas nas águas rasas e límpidas, cobertas por pequenas tendas de sapé.
O Dimitri dormiu todo o trecho de 4×4 e acordou pra curtir a Lagoa. A Zuppy, nossa cachorra, aproveitou muito as águas bem rasas e brincou com os moradores e outros turistas. Cardápio típico de vila de pescador é o próprio peixe na bandeja. Ao redor somente dunas, meia dúzia de outros turistas, a formação da lagoa e um pequeno trânsito de bugies e 4×4 que seguem pra Jeri.
Sem nenhuma dúvida, esse trecho entre Camucim e Jeri é o mais bonito e esse passeio da Lagoa da Torta, o melhor. Ainda nesse caminho, pegamos duas balsas, micro embarcações que surpreendentemente atravessam toneladas da caminhonete. Contratamos um guia (R$150,00) que, indo na frente de moto, nos dirigiu por dentre esse infinito de trilhas, que, sozinhos, nunca seríamos capazes de chegar a destino algum.
