Bonito: impressões Pam

Retorno à Bonito pela segunda vez. Da primeira vez vim parar aqui por um desvio de rota ocasionado por uma greve na Bolívia. Eu e uma amiga íamos para Santa Cruz de la Sierra na Bolivia com o famoso trem da morte e apesar de termos vivido toda a loucura de “pegar” o trem, acabamos paradas logo na primeira estação devido a um “paro cívico” ou greve e, mesmo tendo esperado dois dias para o retorno de suas atividades, acabamos sem “destino” e tivemos a ideia de tomar um ônibus pra Bonito. O único problema que não estávamos contando era que o budget de uma viagem de 10 dias na Bolivia equivale a 1 dia em Bonito…

E foi com essa impressão que voltei de Bonito da primeira vez: um lugar caro e burocrático, cheio de regras. E depois de mais de 10 anos, essa impressão persiste. No geral, não há nada que possa ser explorado sem que custe menos de R$50 por pessoa. Sendo que idealmente por dia você poderia fazer até mais do que 2 passeios, daí somados a hotel e alimentação, realmente não é um destino acessível a qualquer um. Eu me divido entre duas linhas de pensamento. Primeiro a de que usam a “desculpa” de se proteger o meio ambiente, etc, para “elitizar” o acesso a algo que é a pura natureza, que por mais que justifiquem que há “investimentos”, o principal ativo sempre será oferecido de graça pela natureza. E por outro lado, chego a me convencer que realmente são muitos os custos, por exemplo, a restrição de números de turistas por dia que impacta na receita, e a preocupação evidente com a segurança dos turistas o que termina em investimentos de todo gênero para que isso seja garantido. Um guia respondendo para minha pergunta do porque a flutuação do rio da prata custa o mesmo que a do aquário, disse que na primeira são permitidas até 200 pessoas por dia enquanto que a segunda não mais que 50. Ele até mencionou o rapel que custa mais de R$1000 em que o limite diário são 12 pessoas e que se investe bastante também em equipamentos. De fato, me encantou ouvir dele que das centenas de guias turísticos que trabalham em Bonito, que todos são compensados com bons salários o que os permite ter um estilo de vida do tipo classe média, enquanto que em outras cidades isso não é possível. Neste sentido, somando esses argumentos e a facilidade que pessoas pouco afeitas ao ecoturismo tem de experimentar as maravilhas da natureza, creio que é um destino que realmente vale a pena.

 

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