
Fazem parte da Serra da Bocaina municípios famosos como Cunha e Paraty que já visitamos outras vezes. Pela primeira vez, no entanto, viajamos rumo a outra cidade, menos famosa. O destino foi São José do Barreiro. Levamos menos de 4 horas de Jundiai até ali, incluindo já o percurso pra chegarmos em nossa pousada. A cidade é a mais próxima para visitar o Parque Estadual da Serra da Bocaina que possui uma das maiores áreas preservadas da Mata Atlântica.
Já a cidade mesmo não oferece muito mais do que um restaurante/ boteco agradável com mesinhas na rua (Rancho Restaurante) que, mesmo numa época de férias quando fomos pela primeira vez -entre Natal e Ano Novo – e depois quando retornamos, no carnaval, estava super tranquilo.
Nossa estadia: Fazenda São Francisco
Nos hospedamos num hotel que na verdade tem o conceito “moderno” de home stay – ainda que se trate de uma fazenda do século XIX. O foco desta pousada/ hotel histórico é o turismo rural. Oferecem passeios à cavalo além do contato com outros animais típicos da fazendo como vacas, burros, patos, gansos, galinhas e outros que, em especial para quem vive na cidade, tem um efeito especial de conexão com o campo. Outro aspecto deste tipo de turismo é a comida, claro. A maioria das pousadas rurais, por estarem afastadas da cidade – no nosso caso 7 km de terra- oferece pensão completa, com café, almoço e jantar com comida típica da fazenda.
O ritual do jantar era especial com um coquetel servido com caipirinhas e petiscos e, na sala maior, música tocada no antigo piano alegrava as conversas à moda antiga dentre gente que pouca intimidade tem, mas compartilham o desejo de estar ali, perdido no tempo, em conexão com coisas simples da vida. Os donos da casa participam de todas as atividades como bons anfitriões e, os hóspedes, vindos desde Argentina, Africa do Sul, Inglaterra ou mesmo São Paulo, compartilham histórias.
Chegamos no dia 25 de dezembro já mais de 10 da noite, um pouco cansados da viagem e das festividades de Natal. O quarto era bastante simples. Como forma de manter a temperatura, tem o pé direito bem alto, mas nada parecia aliviar o calor no dia seguinte quando despertamos as 7 já suados! Eu então grávida sofri bastante. Mas pior foi que como a construção é de uma fazendo antiga, claro que os quartos não possuem banheiros! Então tinha que atravessar um salão enorme cada uma das 5 vezes (no mínimo) que precisava ir ao banheiro.
Caso se hospede aqui ou passe pela fazenda pra visitar, vale a dica de comprar o licor de Jabuticaba, uma delícia.
Bananal: Outra cidade parte da Serra da Bocaina
Visitamos Bananal em apenas 1 dia e achamos bem organizada a cidade com suas duas praças principais. Adorei os crochês e a vantagem de preço em comprar onde são feitos. Considerando isso e a cachoeira que paramos no caminho de volta que é muito boa principalmente quando esta muito calor, acho que vale a pena conhecer. Aliás a cachoeira tem mais de uma queda d’água com a pressão da água perfeita pra massagear as costas e curti demais os movimentos de felicidade do Dimitri.
Em outro dia visitamos outras fazendas históricas como a que estávamos hospedados. como a Fazenda dos coqueiros. Ouvimos e sentimos mais a história dos antepassados daqueles que nos contavam, sobre senhores de escravos e de como era a vida na época. Visitamos também museus sobre o tema. Pra quem gosta de história, em especial daquelas contadas por experiência, vale a pena.
O Parque Nacional Serra da Bocaina:
Por fim subimos a serra da bocaina e passamos ali dois dias curtindo uma temperatura no mínimo 10 graus inferior à da cidade. Eu, grávida de 7 meses, estava no paraíso depois de tanto calor. Somente a estrada que leva ao parque nacional já compensa o passeio. Antes de entrarmos no parque almoçamos na D. Maria que indiscutivelmente foi a melhor refeição da viagem. Ela preparou porco de uma maneira que nunca tinha provado, parecia uns cubinhos de lombo com bacon. Pra acompanhar tinha couve, polenta, bolinho de arroz. Maravilhoso. Foi com isso que nos convencemos a ficar uma noite ali. O conceito era o mesmo da Fazenda, tipo home stay, também com banheiro compartilhado. Conhecemos um grupo bem interessante de pessoas e uma familia que nos indicou visitar Guararema, que acabamos visitando na próxima vez que voltamos à serra da bocaina.
A despeito da gravidez descemos a cachoeira Santo Isidro que tem 50 metros de queda. Foi super tranquila a caminhada, mas pela gravidez, muito calorenta, fui a única a chegar já tirando a roupa pra nadar. Fui andando na piscina natural até que meu pé travou de tanto frio e tive que colocá-lo pra fora. Foi aí que mergulhei e pus os pés pra cima, e com isso ali já estava completamente imersa naquela água que estava congelando rs nadei, relaxei, fiz yoga e curti muito o Dimitri dentro de mim.
Visitamos uma fazenda de um europeu que inclusive plantou diversas espécies de árvores e plantas distintas às da vegetação local, o que da um ar de floresta do filme senhor dos anéis ao local. Por ali passa um riozinho/ cachoeira de água também bem gelada sob pedras com visual bem exótico que dá pra nadar a um custo-benefício ótimo já que não tem praticamente nenhuma caminhada.
E outro lugar divino pra passar umas horas, meditar, praticar yoga, ler, bater papo, fazer um piquenique e até amigos é o mirante e também rampa de asa delta, muito próximo à pousada da D. Maria.
07/02 – Carnaval em São José do Barreiro
A cidade divulgou um flyer sobre o carnaval para o domingo, que seria das 5 às 8. Sábado ainda estávamos em casa decidindo o que fazer, afinal já faltando apenas 5 semanas pra chegar o Dimitri e considerando que quarta os executivos dos EUA do trabalho do Mauricio chegariam, precisaríamos ir em algum lugar próximo. Me animei super porque voltaríamos pra esse lugar que tanto gostamos, visitariamos a fazenda São Francisco, e ainda pularíamos carnaval de rua.. à tarde! E assim foi. Chegamos sábado na hora do almoço e já garantimos nosso lugar na melhor mesa da praça. Almoçamos ali mesmo e em poucos minutos já fui sentindo os pés e mãos inchando com o calor próximo ao insuportável. Mas aguentamos firme e depois de comer começamos a buscar hospedagem. Às 4 da tarde “começou o carnaval”. As aspas são pra que eu não me esqueça de esclarecer que nada aconteceu a não ser ligarem as caixas de som com marchinhas antigas de carnaval. Mauricio ligou pra todos os lugares e nada. Entao decidimos esperar pra festa começar – até então não tínhamos nos dado conta de que o som ligado já era a festa. Faltando 1 hora pra terminar a suposta festa abandonamos nossa super mesa e saímos pra andar. Achamos muitas pessoas vestidas com o mesmo abadá e depois de perguntar bastante descobrimos que sairiam “mais tarde!?”. Chegamos a ouvir meia noite!! Enfim, rimos muito da inocência minha de que carnaval teria hora marcada.
Na volta, paramos em Guaratinguetá pra dormir, no Ibis da cidade. No dia seguinte seguimos pra Guararema. Nossa primeira parada nesta cidade que surpreende por sua organização e limpeza foi na Ilha Grande. De fato uma ilha do rio Paraiba do Sul, foi projetada pela prefeitura pra funcionar como um parque com suas trilhas, plaquinhas indicativas e toda infra básica de um parque. Me surpreendeu que num dia de verão insuportável de calor e no meio do carnaval, ali a sensação era de paz e frescura. O ponto fraco são as inúmeras restrições impostas para entrada inclusive não para nossos amigos cães e quaisquer animais domésticos. O que reduziu o tempo que passamos ali, afinal Zuppinha é parte da familia e nao é legal deixá-la de fora.
Também vale valorizar o fato de que esta cidade tenha mantido preservado todo esse pedaço de mata atlântica, que incluiu o próximo passeio.
A uns 300 metros da Ilha chegamos no Pau D’Alho. Beirando o rio, ao som de suas águas, há um calçadão com barracas e mesinhas. Do outro lado da rua, diversas opções de restaurantes e uma sorveteria grande com um ar condicionado muito bom rs
Atravessando uma ponte de madeira, divertida por sua instabilidade, chega-se a uma pequena trilha, que de novo, é relaxante pelo som das águas e a sombra da mata densa.
De lá fomos conhecer a Igreja que tem a imagem de São Longuinho. Ao redor estão as principais opções de restaurante. Optamos pelo Teutonia com ambiente muito agradável, estilo rústico rodeado pela linda mata e comida ótima.